Concurso para Projeto de Arquitetura, Gerenciamento, Coordenação e Compatibilização de todos os seus Projetos Complementares para a Ampliação e Reforma do Senac Itapetininga
O entorno urbano onde localizam-se o edifício existente e o lote onde será construída a ampliação do SENAC, área central da cidade de Itapetininga, caracteriza-se pelo traçado com ruas estreitas e edifícios em sua maioria com gabarito baixo.
A legislação urbana permite adensamento de médio porte, possuindo para o local uma taxa de ocupação de 95% e coeficiente de aproveitamento de 2 vezes a área do lote. Além disso, não há exigência de recuos laterais e fundos até o segundo pavimento (térreo, 1° e 2° pavimentos). Optamos pelo projeto de um edifício distanciado do edifício existente, porém conectado em todos os níveis a este, por passarelas com declividade baixa e acessível.
O acesso ao conjunto será feito pela Rua Doutor Júlio Prestes por um espaço livre sob pilotis com grande permeabilidade com a rua na área frontal do edifício, criando uma integração e ampliação do logradouro estreito.
O edifício novo com térreo e mais 6 pavimentos foi implantado recuado de todas as divisas, sendo recuos maiores para as faces com janelas e espaços de longa permanência e menores nas faces com empenas ou caixilhos voltados para espaços secundários.
O eixo de circulação do edifício existente foi prolongado através das passarelas de ligação com o novo edifício, sendo a chegada desta ligação no núcleo do novo edifício, onde em todos os pavimentos haverá uma área livre com mobiliário descontraído para espaço de convivência. Todos os acessos entre os dois edifícios (novo e existente) serão acessíveis (em atendimento a norma NBR 9050 e Lei Federal N° 10.098) através destas passarelas, inclusive à cobertura do edifício existente, que neste projeto está sendo transformada em terraço ajardinado com cobertura e bancos para permanência dos usuários em área aberta ao ar livre.
Na fachada do edifício existente voltada para a Rua Dom Joaquim, haverá apenas um acesso de serviço para o laboratório de Gastronomia e Nutrição.
Houve na solução proposta para o novo edifício uma grande preocupação com a questão climática, utilizando brises, caixilhos recuados em relação a fachada e o grande vazio vertical que é um elemento de sombreamento e ventilação natural para as áreas de circulação. Estas escolhas de projeto irão reduzir significativamente a carga térmica de ar condicionado que só será utilizado nas salas de aula, laboratórios e ambientes administrativos, além de alguns poucos ambientes, como por exemplo, sala de servidor.
O programa de necessidades estabelecido pelo SENAC foi atendido na integra e respeitando os ambientes que deveriam localizar-se no edifício novo e no existente. Destacamos a localização do auditório implantado no pavimento térreo para facilitar o escoamento em caso de emergência, integrado a grande área livre de circulação, foyer e ao grande vazio vertical que interliga visualmente todos os andares, servindo de elemento de orientação dentro do prédio. O edifício foi pensado de forma a permitir futuras alterações de dimensões e localização de ambientes, pois possui estrutura claramente definida de circulações verticais e horizontais (amplas) deixando as demais áreas livres para layout’s variados.
Quanto aos sistemas estruturais, está sendo proposto um sistema Misto contemplando: sistema pré fabricado de concreto (pilares e vigas), lajes em sistema tipo PI (com nervura longitudinal) e elementos de ligação (passarelas) em estrutura metálica. Aliado a um projeto elaborado em plataforma BIM, a execução do canteiro, as formas armazenagem das peças vindas das fábricas, o trajeto das peças dentro do canteiro e organização do içamento das peças para a montagem da estrutura será dimensionada e avaliada ainda na elaboração do projeto, tornando com isso o canteiro um espaço mais limpo, organizado e com menores dimensões dentro do terreno onde já existe uma edificação em funcionamento.
Quanto aos sistemas de construção está sendo proposto: fechamento das fachadas com painéis pré fabricados de concreto autoportantes (modulares) com espessura de 9 cm dimensionados para estarem fixados diretamente à estrutura (não sendo necessárias estruturas complementares como as utilizadas para fechamentos em telas metálicas, peças estas que acarretam muita manutenção devido a corrosão e constantes proteções e pinturas). Estes mesmos painéis denominados “painéis arquitetônicos” possuirão desenho incorporando a partir de estudos de conforto térmico, aberturas que realizarão o efeito de “Brise”, no mesmo painel com a aplicação de perfil de alumínio horizontal em altura que permita que o usuário tenha ampla visão para o exterior do edifício, maximizando também a iluminação natural para os ambientes internos.
Estes painéis também receberão revestimento de acabamento em agregado exposto branco e cinza e lisos com pintura incorporado diretamente aos painéis executados diretamente na fábrica, evitando com isso a necessidade de execução destes serviços na execução da obra. Serão instalados caixilhos em alumínio com pintura eletrostática na cor preta, aberturas tipo maximar e vidros laminados de 6 mm (com fator solar de 32% e coeficiente de sombra de 0,37) instalados independentes dos painéis de fachada, com fechamento inferior do peitoril em placas cimentícias.
Por tratar-se de espaços flexíveis que poderão no futuro terem seu layout alterados, as alvenarias de divisão entre os ambientes deverão ser executadas em sistema “drywall” (com preenchimento interno em lã de rocha) para tratamento acústico com aplicação de pintura latéx devido a facilidade de manutenção e revestimento cerâmico nas áreas molhadas. Quanto aos pisos, deverão ser instalados revestimento em placas de granilite (60x60 cm) tipo “Tecnogran” para áreas internas (com acabamento liso e antiderrapante) e para áreas externas (com revestimento permeável para facilitar a infiltração da água de chuva no solo). Todos os materiais indicados visam diminuir a manutenção, garantir a durabilidade e característica do material, além de possibilitar facilidade de recomposição, caso seja necessário.
Como forma de facilitar a manutenção, todas as instalações serão executadas aparentes (sem embutimento nas alvenarias) com exceção das hidráulicas sanitárias. Para a distribuição das instalações elétricas e de lógica deverão ser utilizados eletrocalhas (com fechamento) de alumínio fundido pintado com plugues tipo macho e fêmea e alimentações encaminhadas através de (eletrodutos, perfilados e eletrocalhas) e as luminárias serão fixadas em perfilados (nos sanitários onde haverá forro de gesso acartonado estas deverão ser embutidas).
A organização dos ambientes dentro da edificação estão distribuídas para manter os espaços de maior acesso de público externo junto ao térreo e 1° pavimento, facilitando a acessibilidade, os de apoio aos funcionários no quarto andar, onde há ligação com área do terraço ajardinado e demais salas, distribuídas nos demais andares, garantindo com isso funcionalidade e autonomia. Quanto aos sistemas ou estratégias para garantir a Ecoeficiência da edificação citamos:
1 - Utilização de sistema de energia fotovoltaica para sistema “On Grid” com a instalação de placas na cobertura do novo edifício com área aproximada de 500 m². Levando em consideração a Latitude 23,59165° e Longitude de 48.05235° em Itapetininga/SP, dá se em média uma Irradiação Solar de 4,67. Será proposto a instalação de placas de 460 W (devido ao custo benefício);
2 - Utilização de sistema automatizado para equipamentos de ar condicionado do tipo VRF (Volume de Refrigerante Variável) podendo utilizar o funcionamento dos equipamentos apenas nos ambientes que estão sendo utilizados;
3 - Para os sistemas de elevadores, deverão ser fornecidos e instalados equipamentos com economia garantida de energia e que possuam sistema regenerativo de energia com sistema eletrônico de potência que controla bi direccionalmente o fluxo de energia entre a rede elétrica e os motores, com as seguintes vantagens: devolução de energia para a rede do empreendimento com o motor atuando como gerador, economia de energia, redução do conteúdo harmônico gerado pelo inversor, fator de potência unitário e redução drástica do banco de resistores.
4 - Para os sistemas de iluminação elétrica, deverão ser instalados luminárias em sistema de Led, visando economia de energia. Além disso serão instalados sensores de presença em áreas que permitam o desligamento automática na luz. Outra estratégia para a economia de energia, deverá ser a utilização de linhas de circuitos elétricos para as luminárias junto a janelas diferentes dos demais circuitos para apagar estas luminárias durante o período que a iluminação natural seja suficiente (em quantidade de lux);
5 - Utilização de sistemas para captação de águas pluviais das áreas de cobertura para tratamento, armazenagem e utilização destas nas bacias sanitárias, mictórios e para lavagem de pisos;
6 - Utilização de bacias sanitárias com caixa acoplada e sistemas tipo “dual flux” (ou seja, utilização de 3 ou 6 litros de água por cada acionamento de descarga);
7 - Utilização de torneiras junto aos lavatórios com fechamento automático e arejador; 8 – Maximização da ventilação e iluminação natural;
9 - Racionalização da construção e construtibilidade devido a pré fabricação dos elementos; 10 - Utilização de cimento CP-3 RS32 como alternativa ao tipo CP-2. Além do menor custo (15%) o padrão CP-3 utiliza em sua composição entre 35% a 70% de escória da siderurgia, ou seja, resíduos do processo de produção do aço. O CP-3 é mais resistente à ação de substâncias ácidas e tem melhora no efeito de retração do concreto. A fabricação do CP-3 permite economia no consumo de calcário e uma menor a emissão de gás CO2.
Por fim, e importante salientar é que a proposta estética do novo edifício, em conjunto com o edifício existente visou a busca pela permeabilidade da visão entre o interior e o exterior, ambiência dos espaços através do efeito entre luz e sombra (já constante no edifício existente), utilização de cores vibrantes, marca característica das escolas SENAC e criação de uma volumetria marcante e sólida, com forte valor simbólico em alusão a solidez do ensino ministrado nas instituições do SENAC.














